Da Rádio

Hoje é Dia da Rádio e achei que não podia deixar de o mencionar e de prestar a minha homenagem ao meio de comunicação social que mais influência teve na minha formação enquanto apreciador de música e não só.

Foram muitas as manhãs passadas em casa, quando tinha 5 ou 6 anos, em que a principal companhia das minhas brincadeiras solitárias era um inseparável rádio sempre sintonizado no Rádio Clube Português. Fui crescendo e a TV começou a ganhar espaço, mas o rádio foi sempre companhia indispensável, pois era por aí que me entravam em casa as vozes e a enorme sabedoria do António Sérgio, do Aníbal Cabrita e do Ricardo Saló, do Francisco Amaral, do Manuel Falcão, do Amílcar Fidelis, da Manuela Paraíso, do Júlio Isidro, do Luís Filipe Barros, Rui Pêgo e de tantos outros que me lançaram nos braços do meu maior vício, aquele sem o qual não consigo respirar: a Música.

Aprendi ainda o que era o humor inteligente com o Pão com Manteiga, ou o mais directo, mas não menos eficaz, de uns Parodiantes de Lisboa, de um Raul Solnado…

Hoje em dia, felizmente, ainda há “Rádio” a ser feita, por entre muita “rádio” que disso só tem o nome.

Uma TSF,  uma Antena3 e qual oásis no meio de um cada vez mais vasto deserto, a Radar, asseguram-me que a Rádio está viva e ainda se recomenda, mesmo numa altura em que cada um de nós começa a fazer os seus próprios conteúdos e alinhamentos.

Fernando Alves, Carlos Vaz Marques, Inês Meneses, Ricardo Mariano, Fernando Alvim, Tiago Castro, Nuno Galopim, Álvaro Costa, Luís Oliveira, Pedro Ribeiro, Mónica Mendes e um punhado mais de bons profissionais (ou excelentes, caso dos sonoplastas fabulosos ao serviço da TSF) permitem ter confiança de que a Rádio, a Rádio não morrerá tão cedo.

Em adolescente tive o prazer de estar do outro lado desse mundo e é sem dúvida das experiências de que mais saudades tenho e que adoraria repetir, mas hoje as rádios que estão ao meu alcance limitam-se a, quais papagaios hertzianos, repetir ad infinitum playlists inanes e rendidas a interesses meramente comerciais aparentemente fruto de mentes lobotomizadas e para mentes que a isso se parecem candidatar.

Depende de nós manter a Rádio viva, depende de nós aquele pequeno gesto que me habituei a fazer, de apagar a TV e ter por companhia as vozes e a música. Esse pequeno gesto permite conversar, ler ou apenas ser embalado até outros mundos…

Por tudo isto, obrigado Rádio!