Encontrado em mim

Perguntou-me ela há dias: “Que canção te define melhor?”

Na altura não lhe soube responder, é sempre difícil escolher entre amores profundos. Acho que normalmente as canções de que gostamos mais são aquelas que nos dizem algo sobre nós, sobre momentos, sobre sentimentos, e quando a vida avança (já não estou a ir para novo…) as candidatas a integrar o leque de escolhidas vão-se acumulando (ao ritmo louco de, sei lá, uma ou duas por década de vida) e algumas perduram enquanto outras se desvanecem (algo que acontece às que se associam a alguém que passou pela nossa vida).

Esta é das permanentes, por tudo, porque vem de muito lá atrás, porque nunca ninguém se lhe colou, porque me define sentimentalmente.

Japan – Nightporter

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Beware of Mr. Baker

Há músicos e Músicos.

Há alguns que se tornam míticos. Ginger Baker é um desses casos.

Louco, irrascível, genial.

Beware of Mr. Baker é um documentário que exprime uma reverência extrema pelo génio, mas não esconde nunca o homem por trás, em toda a sua loucura e toda a sua fraqueza, dando-nos um retrato que julgo honesto de um dos maiores bateristas do nosso tempo.

Conta com testemunhos de imensas pessoas que com ele privaram e privam e mostra-nos alguém que embora por vezes odiado ou desprezado, é sempre reverenciado pelos seus pares.

Mi casa es su casa. Deleitem-se.

A ver, e fundamentalmente, a Ouvir.

Paris, Texas

Revisto hoje na Cinemateca da forma mais perfeita possível: acompanhado da única companhia que ali queria que não a da solidão, e com uma cópia suja, com falhas, riscos e saltos, mas no fundo apenas igual ao deserto onde tanto do filme se passa.

Um filme sobre o Amor (que mais há?), e sobre a coragem de deixar quem se ama para que alguém que se ama ainda mais, possa ser feliz. Ou sobre a cobardia de ter medo de falhar no amar e fugir para não fugir mais tarde.

A banda sonora é um dos discos da minha vida…

Esta é a cena que sei quase de cor, muito por culpa das n vezes que ecoou na minha cabeça durante a audição do disco:

Wenders, ou a América vista pelos olhos de um europeu que sempre por ela se fascinou sem a ela nunca se vender…

Postcards from Waterloo #365

Chega ao fim um projecto que resolvi ter em 2013 e que acabou inevitavelmente por reflectir o que sou:
– Bom, por vezes
– Mau, por vezes
– Aceitável, na maior parte das vezes
– Inconstante, na sua regularidade
– Constante, na sua irregularidade
– Com a minha música, quase sempre
– Com a música de alguém, por vezes

Termina, ou intervala, ou isto é apenas um marco de fim de ano, hoje.
Amanhã logo se vê…

Enfim, este sou Eu, acompanhado por vezes, só, na maior parte das vezes, mas Eu.

Este foi o meu ano de 2013, ano em que tanto aconteceu e nada se passou…

Já não sou quem era, mas continuo a ser quem sempre fui, Eu.

Esqueci-me de pessoas, lembrei-me de outras, ri, chorei, arrisquei, perdi, ganhei, desisti e continuei, Eu, mesmo quando temi já não o ser.

Esta é a minha viagem e nunca teve grande mapa. Vou-me guiando pelo que amo e desamo, raramente odiando.

Vou indo por aqui e dando notícias e quando lá chegar talvez vos mande um postal, porque será lá que saberei, como Napoleão, Wellington e von Blucher, se ganhei ou se perdi.

Porque é lá que isso se sabe, lá, em Waterloo.

Tom Verlaine – Postcard from Waterloo