Paris, Texas

Revisto hoje na Cinemateca da forma mais perfeita possível: acompanhado da única companhia que ali queria que não a da solidão, e com uma cópia suja, com falhas, riscos e saltos, mas no fundo apenas igual ao deserto onde tanto do filme se passa.

Um filme sobre o Amor (que mais há?), e sobre a coragem de deixar quem se ama para que alguém que se ama ainda mais, possa ser feliz. Ou sobre a cobardia de ter medo de falhar no amar e fugir para não fugir mais tarde.

A banda sonora é um dos discos da minha vida…

Esta é a cena que sei quase de cor, muito por culpa das n vezes que ecoou na minha cabeça durante a audição do disco:

Wenders, ou a América vista pelos olhos de um europeu que sempre por ela se fascinou sem a ela nunca se vender…

Eusébio

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Há coisas que passam de pais para filhos, algumas boas, algumas más.

Uma das que me orgulho de ter herdado do meu Pai e de ter passado aos meus Filhos é a paixão pelo Benfica, por tudo aquilo que ela significa, e que a frase “Podes mudar de terra, de país, de emprego, de partido, de mulher ou marido, mas nunca, nunca, mudas de clube.” tão bem simboliza.

No Natal de 2012 eles deram-me uma prenda cheia de significado: a primeira coisa que o Museu Cosme Damião editou, a caixa com a Camisola Oficial do Eusébio. Um Pai derrete-se até mais não, quer vesti-la mas, nunca, nem mesmo quando corremos o risco de ser Campeões Nacionais ou de vencer a Liga Europa, nunca achei que a ocasião estivesse à altura de semelhante símbolo da nossa Paixão pelo Sport Lisboa e Benfica.

Hoje despertei para descobrir essa triste notícia de que
O MAIOR JOGADOR PORTUGUÊS DE TODOS OS TEMPOS
esse mesmo, o Eusébio da Silva Ferreira, tinha deixado este jogo da vida. Passadas algumas horas o telefone tocou e era o mais velho a perguntar: “Vou lá, queres vir?” e claro que lhe respondi que sim, porque afinal a “culpa” de eles vibrarem e sofrerem, até mais do que eu, com o Benfica, é minha.

Acrescentei ainda “– Olha, vou vesti-la. “

“- Claro que sim.” ripostou, sem precisar de mais explicações.

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E por isso, hoje vou lá, ao nosso Estádio, infelizmente não ao que o viu brilhar tantas e tantas vezes, mas ao seu sucessor, para lhe prestar uma última homenagem, a ele, ao King, ao Pantera Negra, ou, mais simplesmente, ao Rei Eusébio, e agradecer-lhe ter sido o maior contribuidor para tornar grande a Paixão que temos pelo Benfica.

Até sempre, King!

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Postcards from Waterloo #365

Chega ao fim um projecto que resolvi ter em 2013 e que acabou inevitavelmente por reflectir o que sou:
– Bom, por vezes
– Mau, por vezes
– Aceitável, na maior parte das vezes
– Inconstante, na sua regularidade
– Constante, na sua irregularidade
– Com a minha música, quase sempre
– Com a música de alguém, por vezes

Termina, ou intervala, ou isto é apenas um marco de fim de ano, hoje.
Amanhã logo se vê…

Enfim, este sou Eu, acompanhado por vezes, só, na maior parte das vezes, mas Eu.

Este foi o meu ano de 2013, ano em que tanto aconteceu e nada se passou…

Já não sou quem era, mas continuo a ser quem sempre fui, Eu.

Esqueci-me de pessoas, lembrei-me de outras, ri, chorei, arrisquei, perdi, ganhei, desisti e continuei, Eu, mesmo quando temi já não o ser.

Esta é a minha viagem e nunca teve grande mapa. Vou-me guiando pelo que amo e desamo, raramente odiando.

Vou indo por aqui e dando notícias e quando lá chegar talvez vos mande um postal, porque será lá que saberei, como Napoleão, Wellington e von Blucher, se ganhei ou se perdi.

Porque é lá que isso se sabe, lá, em Waterloo.

Tom Verlaine – Postcard from Waterloo