Encontrado em mim

Perguntou-me ela há dias: “Que canção te define melhor?”

Na altura não lhe soube responder, é sempre difícil escolher entre amores profundos. Acho que normalmente as canções de que gostamos mais são aquelas que nos dizem algo sobre nós, sobre momentos, sobre sentimentos, e quando a vida avança (já não estou a ir para novo…) as candidatas a integrar o leque de escolhidas vão-se acumulando (ao ritmo louco de, sei lá, uma ou duas por década de vida) e algumas perduram enquanto outras se desvanecem (algo que acontece às que se associam a alguém que passou pela nossa vida).

Esta é das permanentes, por tudo, porque vem de muito lá atrás, porque nunca ninguém se lhe colou, porque me define sentimentalmente.

Japan – Nightporter

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Paris, Texas

Revisto hoje na Cinemateca da forma mais perfeita possível: acompanhado da única companhia que ali queria que não a da solidão, e com uma cópia suja, com falhas, riscos e saltos, mas no fundo apenas igual ao deserto onde tanto do filme se passa.

Um filme sobre o Amor (que mais há?), e sobre a coragem de deixar quem se ama para que alguém que se ama ainda mais, possa ser feliz. Ou sobre a cobardia de ter medo de falhar no amar e fugir para não fugir mais tarde.

A banda sonora é um dos discos da minha vida…

Esta é a cena que sei quase de cor, muito por culpa das n vezes que ecoou na minha cabeça durante a audição do disco:

Wenders, ou a América vista pelos olhos de um europeu que sempre por ela se fascinou sem a ela nunca se vender…