(re)construção

Pela terceira vez nesta década a casa em que inicio o ano é diferente da do ano anterior.

Talvez seja agora a hora de (re)construir um lar.

Bom 2015!

Cinematic Orchestra’s “To Build A Home” featuring Patrick Watson Live @ The Barbican in London, 2007

Benvindos a 2015!

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Cinema em 2012, um Top XX

Este foi um ano especial em vários aspectos, sendo que o principal, para mim, terá sido o facto de por ter estado fora do país e num sítio onde o acesso local à cultura ainda é muito difícil, me ter habituado a ver cinema no PC em vez de apenas no escuro da grande sala, algo que me é essencial desde que me conheço e que em termos de artes apenas perde nas minhas preferências para a música, mas essa não é vício, é, como alguém que muito prezo diz, “ar”, essencial à sobrevivência no dia-a-dia.

Mas, passemos então à lista deste 2012 cinematográfico. Ao contrário da música, aqui há alguma ordenação das escolhas, pelo menos das principais. Os filmes não são forçosamente de 2012, alguns são de 2011 mas só por cá estrearam este ano (os que estrearam…).

  1. Amour de Michael Haneke – Um dia virei aqui falar sobre este filme, talvez quando o revir, o que pretendo fazer a curto prazo. Apenas posso dizer que sim, o Amor é aquilo que ali está.
  2. Poulet aux Prunes de  Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud – Há um cinema iraniano? Há, definitivamente, e por ele têm passado alguns dos melhores filmes de que me lembro nos últimos tempos, seja o primeiro de Satrapi, seja essa exemplar demonstração de que somos todos iguais, temos todos os mesmos problemas e o mesmo anseio pela felicidade. É disso também que trata este Poulet aux prunes, do Amor, da Felicidade, da decisão de desistir de viver quando se acha que perdemos a hipótese de a eles chegar ou voltar. Ah, e tem Mathieu Amalric que ameaça tornar-se o meu actor francês de eleição.
  3. Seeking a friend for the end of the world de Lorene Scafaria – Confesso, não ía à procura de nada que não fossem uns momentos um pouco mais divertidos naquela tarde em Lisboa. Ganhei muito mais que isso, ganhei um filme delicado, divertido q.b., com um Steve Carell cada vez mais contido e cada vez mais actor em detrimento de ser apenas um cómico, com uma Keira Knightley que cresce de filme para filme (não, não vi o Anna Karenina) e que me ganha a partir do momento em que se assume como viciada em música (uma personagem que foge do inevitável com os seus discos preferidos em vinil debaixo do braço e que entre esses tem 69 Love Songs dos Magnetic Fields ou Scott Walker ganha facilmente o meu apreço incondicional).
  4. Moonrise Kingdom de Wes Anderson – Um elenco de primeira e cenários de sonho, combinados com um argumento delicioso fazem deste um filme memorável e que vai apetecer rever quando quisermos ficar bem-dispostos.
  5. Argo de Ben Affleck – A prova de que a realidade é muitas vezes mais estranha do que a ficção. E que Ben Affleck é um bom realizador (argumentista já se sabia desde o Good Will Hunting que co-escreveu com o Matt Damon) e está cada vez melhor actor.
  6. Looper de Rian Johnson – Ficção científica de primeira apanha e o maior anúncio ao Blunderbuss do Jack White que eu já vi… 🙂
  7. Cloud Atlas de Lana e Andy Wachowski e Tom Tykwer – Uma forma megalómana de explorar o “isto está tudo ligado” que tantas vezes se vê em cinema (p.e. em 360 de Fernando Meirelles que muito prometia e acabou por sair fraquinho…) e que neste filme se revela surpreendente, intrigante e  cativante, até pela decisão arrojada de fazer com que os actores principais (pelo menos uns 15…) desempenhem entre 3 e 6 personagens diferentes, que vão do envelhecimento simples ao hilariante desconstruir de uma imagem, casos de Hugh Grant como canibal ou Hugo Weaving como enfermeira tirana. Daqueles que pela sua grandiosidade fotográfica merece ser visto em cinema e que, felizmente, não tiveram a infeliz ideia de filmar em 3D.
  8. Vous n’avez encore rien vu de Alain Resnais – Recriação do mito de Orfeu e Eurídice feita de uma forma deliciosa para nos mostrar a beleza da arte de representar e da forma diversa como vários actores pegam num mesmo texto e o transformam em seu dando-lhe um cunho pessoal inextricável da obra que interpretam. E o prazer de ver, num mesmo filme, Mathieu Amalric, Pierre Arditi, Sabine Azemá, Anny Duperey, Gérard Lartigau, Michel Piccoli, Lambert Wilson, Anne Consigny fazendo de si próprios e das suas personagens, é imenso.
  9. Shame de Steve McQueen – Depois de Hunger, Steve McQueen volta a incomodar e retrata um pouco do mundo de adultos em que vivemos, muitas vezes sós e carregados de segredos. Michael Fassbender veio para ficar.
  10. Ruby Sparks de Jonathan Dayton – Talvez o argumento mais original do ano e mais uma Kazan, Zoe, a brilhar em Hollywood a escrever e a actuar de forma deliciosa. Uma forma diferente de ver o amor e de abordar o conceito “Stingiano” de If you love somebody, set him free, her neste caso…
  11. Skyfall de Sam Mendes – Há muito que não me recordava de um 007 que merecesse figurar numa lista destas. Bond reencarnou depois de ter andado disfarçado por Moores, Daltons e quejandos, encontrando em Daniel Craig a pele e o corpo que perdera ao deixar Sean Connery. As sequências vertiginosas estão lá, as inverosímeis também (mas é Bond e tudo se lhe perdoa), há novos actores para velhos papéis, há um vilão Bardem delicioso e que pela 1ª vez, que me lembre, nos faz duvidar em que campo joga Bond, há uma morte horrorosa (não humana é certo, mas não se faz aquilo a um DB5), só não há Bond-girl verdadeiramente digna desse nome. Sou levado a concluir que nos recordamos tanto das outras Bond-girls porque os filmes em si não eram assim tão memoráveis…
  12. Carnage de Roman Polanski – Escrito para teatro e adaptado ao cinema por Yasmina Reza, é um filme de actores com Jodie Foster, Kate Winslet, Christoph Waltz e John C. Reilly naquilo que apenas consigo descrever como um Shotgun Stories urbano.
  13. Hugo de Martin Scorcese – Scorcese ama o cinema e o cinema retribui. Um filme fantástico à volta da magia do cinema de George Méliès.
  14. Killing them softly de Andrew Dominik – Negro qb, irónico qb, a primeira cena é digna de uma abertura de episódio de Breaking Bad.
  15. Lawless de John Hillcoat – Há um nome que sai deste filme, o de Tom Hardy, como confirmação de que temos actor e uma promessa de que ainda há-de sair dali coisa de jeito quando crescer, Shia LaBeouf. Há um argumento adaptado por Nick Cave e uma banda sonora de 1ª que sai direitinha das mãos e das escolhas do Sr. Cave e de Warren Ellis.
  16. Le Havre de Aki Kaurismäki – A Europa e a imigração. Delicado, duro, bom.
  17. The Best Exotic Marygold Hotel de John Madden – To cut a long story short: Judi Dench, Tom Wilkinson, Bill Nighy, Maggie Smith, Ronald Pickup e Celia Imrie. Um filme de actores e uma forma diferente de olhar a crise, o amor e o envelhecimento.
  18. Extremely Loud & Incredibly Close de Stephen Daldry – ver mais aqui.
  19. Liberal Arts de Josh Radnor – Depois de ter descoberto via a minha dealer do costume o delicioso Happythankyoumoreplease sou levado a concluir que o Ted de HIMYM é construído à imagem de Josh Radnor, que se revela um argumentista divertido sem necessidade de recorrer à boçalidade, um  realizador sensível e um actor que em momento algum parece precisar de se esforçar no que faz.
  20. Jeff, who lives at home de Jay e Mark Duplass – Desconcertante, mais uma vez há humor sem haver boçalidade. Jason Segel de HIMYM e Ed Helms em grande. Ah, e Dame (não é mas devia ser) Susan Sarandon.

Há mais, os que vi mas não cabiam aqui e os que não vi, por falta de tempo ou por ainda não terem estreado (desculpa de mau pirata, eu sei…)

Ponto alto do ano: It’s a Wonderful Life de Frank Capra na Cinemateca Portuguesa, naquela que foi a estreia por aquelas bandas (reticente a princípio mas vencedora no final) do meu filho mais novo.

A ordem hoje foi esta, amanhã seria outra diferente em que só os 3 primeiros são imutáveis.

Desilusões do ano: The Hobbit – An unexpected journey, The Dark Knight Rises

De 2012 a ver logo que consiga: The Master, Django Unchained, Zero Dark Thirty, Lincoln, The Impossible, Savages, Sinister, End of Watch, On the Road, Promised Land e Hitchcock.

Who would you call?

Acabei de ver o filme que mais me fez chorar nos últimos tempos (meses? Anos?)

Extremely Loud, Incredibly Close de Stephen Daldry (que parece incapaz de fazer filmes irrelevantes) é a história de um filho que busca prolongar os últimos “8 minutos” com o seu pai, que morreu no colapso das Torres Gémeas a 11 de Setembro de 2001, e fá-lo encetando uma busca pela fechadura que uma determinada chave que encontra por entre as coisas do seu pai abrirá.

O choro surgiu por várias vezes e como sempre foi como forma de proteção para aquilo que faz doer:

O que sabes de quanto sabem de ti aqueles que amas e te amam?

Quantas vezes te esqueces de dizer aos que amas precisamente isso?

Quantas vezes acabas por impedir aqueles que te amam de to dizer?

Se esta fosse a tua última chamada, a quem ligarias?

É o final de um ano muito agitado na minha vida e talvez esteja mais sensível que o normal, mas este será certamente um filme a rever várias vezes. Sempre que sentir o meu coração esquecer estas questões.

Passei grande parte do ano a adiar este filme, quiçá premonitoriamente, porque tive e dei motivos demais de choro ao longo do mesmo para dispensar aditivos (que surgiram, ver post futuro sobre o meu top de Cinema em 2012…)

Desculpem a lamechice de fim de ano.

2012 em Música – um Top X (XXV para já)

Eis alguns dos discos de 2012 que tocaram cá mais dentro este ano por ordem estritamente alfabética:

  • A Naifa – Não Se Deitam Comigo Corações Obedientes
  • alt-J (∆) – An Awesome Wave
  • Anais Mitchell – Young Man In America
  • Andrew Bird – Break It Yourself
  • Bat for Lashes – The Haunted Man
  • Beach House – Bloom
  • Bob Dylan – Tempest
  • Cat Power – Sun
  • David Byrne & St. Vincent – Love This Giant
  • Django Django – Django Django
  • Dry The River – Shallow Bed
  • Father John Misty – Fear Fun
  • Fiona Apple – The Idler Wheel Is Wiser Than The Driver Of The Screw & Whipping Cords Will Serve You More Than Ropes Will Ever Do
  • Godspeed You! Black Emperor – Allelujah! Don’t Bend! Ascend!
  • Grizzly Bear – Shields
  • Jack White – Blunderbuss
  • Kelly Hogan – I Like To Keep Myself In Pain
  • Lambchop – Mr. M
  • Leonard Cohen – Old Ideas
  • Meursault – Something For The Weakened
  • Sharon van Etten – Tramp
  • Sigur Rós – Valtari
  • The Shins – Port of Morrow
  • The Walkmen – Heaven
  • The XX – Coexist
  • Tindersticks – The Something Rain

E o tema do ano (IMHO):

Solitude Standing

Terminei hoje umas férias que não programei assim.

Fruto de acasos da vida (alguns terríveis, infelizmente), o que programara acabou por não ser possível realizar e ficará adiado «sine die».

Acabei por optar não desmarcar os 10 dias de férias e aproveitar para os passar com alguém que me pareceu precisar bastante da minha companhia: EU.

Assim, para além de ir a um concerto já há bastante tempo programado e em que estive bem acompanhado, acabei por passar o resto dos dias sozinho e a gostar da companhia (ressalva para uma tarde de sábado em que com o meu filho mais novo fomos à Luz ver o Benfica B jogar, e como é bom telefonar, desafiar e do lado de lá a voz dele aceitar o convite…).

Acabei por não parar quieto, a não ser quando elegia uma qualquer esplanada, de preferência com vista para o Tejo ou para o Atlântico para dar a estocada final no Game of Thrones (obrigado Kindle por existires, este é o início de uma bela amizade).

Mas, dizia, não parei quieto e não fiz planos (quem me conhece sabe que isso para mim é “complicado”). Saía de casa dos meus pais e decidia no caminho para onde ia deixar o carro levar-me. Na segunda tive o há muito adiado almoço com o J (um dos meus 3 Amigos que me têm apoiado/aturado durante este período de mudança). Falámos, rimos, quase chorámos (ninguém nos manda beber tanto), conversámos sobre o que nos rói por dentro (elas, sempre elas), sobre o que nos alegra e entristece (ah JórJus que só nos móis a paciência com o que fazes ao Glorioso) e agendámos novas aventuras.

De resto, foram 6 (seis) idas ao cinema, irmãmente divididas entre a Cinemateca e a oferta corrente da Lusomundo, mas isso talvez venha a analisar em posts próximos, se para aí me der…

Foi bom dividir o tempo entre Lisboa e a praia (mesmo que só uma das vezes tenha de facto feito uma tarde de praia). Mas ter o mar por companhia em vários dos dias, foi algo que me estou a habituar a não dispensar.

Ontem ainda acabei a tarde em mais uma esplanada de vista magnífica (a do Le Chat http://4sq.com/SA6pyW) com o outro J em cavaqueira que com ele é sempre calma, pensada e agradável, e de onde vêm sempre conselhos e opiniões úteis.

Tive “des””ilusões”, chamo-lhes assim porque foram aquelas coisas que sabia que não iam acontecer mas que mesmo assim insisti comigo próprio que sim, que aconteceriam, embora tudo apontasse no sentido contrário. Não me deixei vencer por esses momentos (embora por vezes tivesse parecido a mim próprio que sim).

Dei por mim a chorar no cinema por ouvir uma música ou por me reconhecer num momento (ou num percurso) de um personagem, mas ultimamente ando assim, it’ll pass in time.

Daqui a umas horas regresso a Aveiro e confesso, estou com saudades do meu novo canto de mundo, o que é estranho pois só o habito há mês e meio, mas já me fazem falta os seus recantos e os meus hábitos que nele nascem.

Não sei se já vos disse que sou feito de música, e por isso deixo-vos a banda sonora deste post e que foi também um pouco a das minhas primeiras férias comigo.

Suzanne Vega – Tom’s Dinner http://www.youtube.com/watch?v=mNWyF3iSMzs

Walker Brothers – The Sun Ain’t Gonna Shine (Anymore) http://www.youtube.com/watch?v=0q6YWDm0GSU

The Kills – Last Goodbye http://www.youtube.com/watch?v=bUoRfUNGG2k

Alt-J – Ripe&Ruin + Tesselate http://www.youtube.com/watch?v=GG8qvVNAGMY&feature=plcp

Mumford and Sons – Little lion man http://www.youtube.com/watch?v=lLJf9qJHR3E

Radiohead – Fake Plastic Trees http://www.youtube.com/watch?v=pKd06s1LNik

Pixies – Debaser http://www.youtube.com/watch?v=JLuNemggM9I

Bob Dylan – Duquesne Whistle http://www.youtube.com/watch?v=vANZ-GGaOC0